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A Fábula dos Mercados ou os Mercados Fabulosos?

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Os mercados estão na ordem do dia há demasiado tempo. Não há cão nem gato que não opine sobre eles. Chegam até a derrubar governos, abrem e fecham pequenas, grandes e médias superfícies comerciais, engrossam todos os dias as curvas do desemprego e até servem de álibi para a incompetência dos nossos governantes. Já não há pachorra para tanto mercado!

Curiosamente, nós em Montargil, de tanto ouvirmos falar de mercados, chegamos até a ter algum desencanto por não termos nenhum. Fazia-nos bem ao ego termos um mercado!

Os alfacinhas têm o da Ribeira, os tripeiros têm o Bulhão, os madeirenses o dos Lavradores, e nós até podíamos ter o das Afonsas. Que nome chique! Dá assim um ar aburguesado à coisa. Podia até ser no espaço a que o povo se habitou a chamar de jardim. Abria uma vez, de dois em dois meses, para turista ver. Uma banca de achigã aqui, uma de abletes acolá, espargos, túberas, figos de palma e beldroegas, em barda, mais uma banca de morcelas de arroz. Cachola, molejas e rins de porco para petiscar, umas sandes de chouriço, uns bolinhos de 5 tostões e uma pinga de almece para engolir melhor; aquele conceito de Slow Food que está agora tão em voga. Para os mais exagerados, uma Sopa de Cebola, umas Batatas de Molho, umas Papas de Abóbora ou um Feijão com Couve para levar na tupperware.

O FMI pode esperar. Afinal, com mercados destes, qual é a Agência de Notação Financeira com coragem para baixar o rating da nossa dívida?!

E de maneira que é assim!

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