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Caminho NC: Poesia
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Poesia

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Um Hino a Montargil

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Do Outeiro para a Lomba, Peralta e Quinta Seca
Escorrega a Vila
Pegada de estaca em monte d’argila
Num cabeço da charneca.

Acorda o sol nas cachapernas do montado
Faz a barba ali no espelho da albufeira
E deita-se além, pálido e cansado
Em cama de carqueja com urze à cabeceira.

O fueiro, a grade, a canga e o abegão
A foice, a gadanha, a moeira e o ganhão
A arreia, a cava, a monda e a praça de jorna
A goiva, a sovela, a mó e a bigorna
A picota, a parelha, a junta e o arado
São letra morta, corda bamba e voz calada doutro fado.

Oh terra de azeite, mel, túberas e bolotas
Acena-me da Guarita, pisca-me o olho
Que eu dispo a samarra, calço as botas
E vou bater mantas de restolho
Ou atalhar veredas a corta mato
À cata dos meus grilos e ninhos de gaiato.

Oh chucha do meu berço
Afogada no moinho submerso
Ando lembrado de açordas, tibornas e migas
Roído de saudades e exausto de fadigas.

Um dia voltarei de longe e de vez
Com todas as bolandas no alforge de maltês
E não juro mas prometo
Confiar-te os fundilhos da alma e os gatos do esqueleto!

Montargil

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Percorro sozinho o teu
Agosto de cal por um silêncio
Que dura.

No muro, pinta a buganvílea
Com sangue uma tragédia
Na tua brancura.

Olho-te, e não vejo uma
Mensagem em teu olhar,
Só planura.

Levanta-te agora!
E cumpre inteiro o destino
Que tens na frente da tua altura.

___________

Rui Carapinha, Janeiro de 2009

Ode à Minha Maneira, um poema a Montargil, da autoria de Aníbal Lopes

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Quando falava da natureza
e afirmava com certeza
Que havia um lugar diferente
todo o mundo perguntava
de que Eden eu falava
e se existia tal gente.

Terra de amor e paixão
de gente de paz e searas de pão
terra que o trovador cantava
terra de urze e pinhal silvestre
que de sons e odores se reveste
era dela que eu falava.

Terra de laranjas maduras
águas cristalinas e puras
que refrescam a face cansada
quando falo deste povo de valor
quando falo do vento e do calor
falo dessa terra abençoada.

Terra de amores vadios
sentimentos e despertares tardios
terra de largos espaços
terra de festas e romarias
de muitos Manéis e Marias
falo de uma terra de abraços.

Terra de gente com suor no rosto
terra que vive e trabalha de gosto
terra que saúda com alegria
terra de cal e ocre vestida
terra de escolas crianças e vida
terra de S.Ildefonso e S.Maria.

Terra de vales e montes
albufeiras e muitas fontes
terra de muitos sabores
terra de alecrim e rosmaninho
onde cada um constrói o seu ninho
falo de Montargil, meus senhores.


Aníbal Lopes, Novembro de 2009

Aníbal Lopes: Desinspiração

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Penso em palavras que gostaria de ouvir
mas a rima não vêm
Penso em sons de violino
no pulsar da vida e
em corações ardentes
mas a rima não vêm
Faço-me perguntas e imagino
respostas
penso em mensagens lindas
em orações poderosas
mas a rima não vêm
Penso em águas tranquilas
e em cálices
de transbordante néctar
mas a rima não vêm

Esta noite a minha alma de Poeta
está ausente

Boa noite meu amor

JMachoqueira: Futuro e Passado

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Futuro, passado,
fomos, seremos,
lucro, sucesso...
A essência da dor,
da morte são
que nos impedem de com exatidão
observarmos o presente:
somente pela total compreensão,
percepção sem escolha
do que é, do presente
nos libertamos
e libertamos
do fator desintegrante
e mortífero da contradição.
Organizaste tudo em função
da contradição, do governo/oposição,
do contraditório... E, até é verdade
que a contradição
parece útil, vitalizante...
Mas, é mesmo só parecença,ilusão,
terrível ilusão!
Só sofrimento e morte é
o pensamento da incoerência,
da contradição.
Pensares quase sempre só
em termos do passado e do futuro
infelizmente por demais comum é:
portanto, não só não compreendes o que é,
o que está a acontecer, o presente,
como compreendes o resto muitíssimo mal,
se é que há Resto.
Verdadeiramente,
compreender é sem pensar!