
Do Outeiro para a Lomba, Peralta e Quinta Seca
Escorrega a Vila
Pegada de estaca em monte d’argila
Num cabeço da charneca.
Acorda o sol nas cachapernas do montado
Faz a barba ali no espelho da albufeira
E deita-se além, pálido e cansado
Em cama de carqueja com urze à cabeceira.
O fueiro, a grade, a canga e o abegão
A foice, a gadanha, a moeira e o ganhão
A arreia, a cava, a monda e a praça de jorna
A goiva, a sovela, a mó e a bigorna
A picota, a parelha, a junta e o arado
São letra morta, corda bamba e voz calada doutro fado.
Oh terra de azeite, mel, túberas e bolotas
Acena-me da Guarita, pisca-me o olho
Que eu dispo a samarra, calço as botas
E vou bater mantas de restolho
Ou atalhar veredas a corta mato
À cata dos meus grilos e ninhos de gaiato.
Oh chucha do meu berço
Afogada no moinho submerso
Ando lembrado de açordas, tibornas e migas
Roído de saudades e exausto de fadigas.
Um dia voltarei de longe e de vez
Com todas as bolandas no alforge de maltês
E não juro mas prometo
Confiar-te os fundilhos da alma e os gatos do esqueleto!




Quando falava da natureza
Penso em palavras que gostaria de ouvir
Futuro, passado,